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06/11/2025 às 13h23Plataformas online chinesas como Temu e Shein estão a transformar as estruturas de comércio e logística europeias a um ritmo acelerado. Com investimentos massivos em centros de distribuição e de cumprimento próprios, estabelecem redes de entrega locais que forçam os serviços de entrega clássicos e os comerciantes a repensar a sua abordagem. Esta é a conclusão de uma análise recente da SKR AG, Lucerna.
“Temu e Shein constroem em um ano o que os fornecedores estabelecidos levaram anos a realizar”, diz Rico Back, Managing Partner da SKR AG. “Rapidez na entrega, controlo de custos e acesso a dados dos clientes são as suas alavancas – a nova lógica é: Local-to-Local em vez de Cross-Border. Assim, o poder na cadeia de fornecimento muda de forma significativa.”
Esta dinâmica é impulsionada pela nova política aduaneira dos EUA e da UE. O governo dos EUA eliminou, a partir de 29 de agosto de 2025, a isenção de impostos para envios de mercadorias abaixo de 800 dólares. Na UE, o atual limite de isenção de 150 euros deverá ser eliminado até 1 de março de 2028.
O que deveria pôr fim aos importes baratos revela-se, segundo a análise da SKR, como um catalisador para a profissionalização. “As plataformas já não importam milhões de pacotes individuais, mas sim contentores inteiros, desalfandegam de forma centralizada e distribuem a partir de centros de transbordo europeus”, explica Back. “Desta forma, adaptam-se aos novos obstáculos regulatórios, reduzem custos e tempos de entrega e mantêm o controlo sobre os dados dos clientes e a cadeia de fornecimento.”
Redes de cumprimento construídas a um ritmo recorde
Nos últimos doze meses, Temu e Shein expandiram significativamente as suas capacidades na Europa, segundo relatos. A Temu opera agora locais de armazenamento na Alemanha, França, Espanha, Itália, Países Baixos e Áustria. A Shein estabeleceu centros na Bélgica, Frankfurt, Espanha, Itália, Irlanda e Polónia. O objetivo: tempos de entrega mais rápidos, custos de envio mais baixos, desalfandegamento eficiente e gestão local de devoluções.
“Estamos a ver uma nova geração de operadores de plataformas globais que criam ecossistemas logísticos próprios na Europa”, afirma Back. “Isto cria novos fluxos de volume – a pressão sobre o preço da última milha, no entanto, não diminui.”
Serviços de entrega e comércio sob pressão
A entrega ao cliente final representa mais de 50% dos custos totais de uma remessa. As plataformas esperam, especialmente para produtos na faixa de preço baixo, preços de entrega extremamente baixos. Quando os serviços de entrega aceitam essas remessas para manter o volume estável, podem sentir-se pressionados. Pois verifica-se que as margens estão estagnadas. Segundo o estudo KEP 2025 da Associação Federal de Logística de Pacotes e Expressos (BPEX), em 2024, os volumes B2C na Alemanha cresceram 5,5%, enquanto os volumes B2B, mais lucrativos, caíram 1,6%. O rendimento ajustado pela inflação por remessa caiu abaixo do nível de 2014 – os custos mais elevados mal puderam ser repassados.
Para beneficiar mais da procura online, muitos prestadores de serviços estão a reagir com ofertas próprias de cumprimento. Mas Back vê também riscos: “Cumprimento não é garantia de rentabilidade – é intensivo em capital e requer uma alta taxa de ocupação. Quem não planeia estrategicamente a construção de soluções de cumprimento e não integra digitalmente processos, espaços e transportes, está a queimar dinheiro em vez de ganhar.”
A concorrência também se intensifica para o comércio. “Quem não é nem barato nem especial será esmagado”, diz Back. “Estamos a observar que os comerciantes estão a criar marcas próprias a preços acessíveis, a lançar novos conceitos ou a apostar sem compromissos em qualidade, premium e serviço. Em qualquer caso, uma logística altamente eficiente decide a competitividade.”
Desafio estratégico da Europa
A SKR AG destaca as consequências de uma crescente concentração de plataformas: “Quando uma parte significativa dos volumes de remessas é controlada por poucas plataformas globais, os prestadores de serviços logísticos perdem o seu poder de negociação”, afirma Back. “A Europa não deve tornar-se apenas um mercado de vendas, mas deve manter a criação de valor, empregos e dados nas suas próprias mãos. É necessário agir estrategicamente: as cadeias de fornecimento devem ser diversificadas, parcerias com regras claras devem ser estabelecidas, a eficiência operacional e a escalabilidade devem ser aumentadas de forma direcionada, assim como a inovação e a diferenciação devem ser aceleradas.”
Foto: © SKR AG





